O FENÔMENO BULLYING E AS

SUAS CONSEQÜÊNCIAS PSICOLÓGICAS

 

 

Atualmente, há um tema que vem despertando cada vez mais, o interesse de profissionais das áreas de educação e saúde, em todo o mundo, é sem dúvida, o do Bullying escolar. Termo encontrado para conceituar os comportamentos agressivos e anti-sociais, que gera a violência escolar.

O Bullying e definido como “um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento”. Insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying.

O mais grave do bullying, é que ele causa “traumas” ao psiquismo de suas vítimas e envolvidos. Além do escolar, pode-se sofrer bullying nas famílias, nas forças armadas, nos locais de trabalho (denominado de assédio moral), nos asilos de idosos, nas prisões, nos condomínios residenciais, enfim onde existem relações interpessoais.

Trata-se de um problema mundial, encontrado em todas as escolas, que vem aumentando nos últimos anos e que só recentemente vem sendo estudado em nosso país. Em todo o mundo, as taxas de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. No Brasil, através de pesquisas que realizamos, inicialmente no interior do estado de São Paulo, em estabelecimentos de ensino públicos e privados, com um total de 1.761 alunos, comprovamos que 49% dos alunos estavam envolvidos no fenômeno. Desses, 22% figuravam como “vítimas”; 15% como “agressores” e 12% como “vítimas-agressoras”.

As causas desse tipo de comportamento abusivo são: carência afetiva, a ausência de limites e ao modo de afirmação de poder e de autoridade dos pais sobre os filhos, por meio de “práticas educativas” que incluem maus-tratos físicos e explosões emocionais violentas.

As pessoas que fazem o bullying, possui necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si.

As conseqüências para as “vítimas” de bullying são graves e abrangentes, como: o desinteresse pela escola, a dificuldade de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, a baixa-estima, o stress, a depressão e o suicídio.

Esta forma de violência é de difícil identificação por parte dos familiares e da escola, uma vez que a “vítima” teme denunciar os seus agressores, por medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está apanhando ou passando por situações humilhantes na escola ou, ainda, por acreditar que não lhe darão o devido crédito.

 

Cleodelice Aparecida Zonato Fante